
Ciência e descobertas
Rastro de 42 anos-luz revela como partículas cósmicas se deslocam
Pesquisadores na China mapearam um rastro de raios X que se estende por cerca de 42 anos-luz no espaço, mostrando que partículas de alta energia podem percorrer grandes distâncias em uma direção definida, em vez de se dispersarem imediatamente em todas as direções.
A equipe combinou observações de duas formas de luz de alta energia: raios X registrados pelo satélite Tianguan, também conhecido como Einstein Probe, e raios gama detectados pelo observatório terrestre LHAASO.
O rastro começa perto de um pulsar situado a cerca de 4.600 anos-luz da Terra, em uma nuvem ao seu redor onde partículas são aceleradas a energias extremas. Trata-se da cauda de raios X mais longa já conhecida associada a uma nuvem desse tipo.
Observações anteriores haviam revelado apenas alguns anos-luz do rastro. Após quase 20 horas de observações, o Tianguan revelou uma estrutura muito mais longa e tênue, que alcança a região onde o LHAASO havia detectado raios gama de energia ultra-alta. A localização dos sinais e suas propriedades de radiação sustentam a explicação de que a mesma população de elétrons de alta energia produz ambos.
Essa conexão permite aos pesquisadores acompanhar o percurso das partículas muito além de sua fonte, contestando a suposição comum de que elas se espalham rapidamente em todas as direções. Ainda não se sabe por que mantêm uma direção definida: um campo magnético ordenado pode guiá-las, ou um fluxo de matéria para fora da fonte pode transportá-las. Em qualquer dos casos, as observações oferecem novas evidências sobre como partículas energéticas se deslocam pelo espaço entre as estrelas.