Saúde e cura

ARN de transferência modificado restaura a função das proteínas em modelos de fibrose quística

O ARN de transferência modificado restabeleceu a produção de proteínas completas e funcionais em modelos laboratoriais e pré-clínicos de fibrose quística, abrindo uma via inicial para o tratamento de muitas doenças hereditárias que partilham o mesmo tipo de erro genético.

Investigadores da Universidade de Toronto centraram-se nas «mutações sem sentido», que introduzem sinais prematuros de paragem nas instruções genéticas. As células passam então a produzir proteínas truncadas ou deixam de as produzir. Estas mutações são responsáveis por cerca de 11% das doenças genéticas hereditárias e ocorrem em milhares de patologias, incluindo algumas doenças musculares e neurológicas.

Em vez de desenvolver uma terapêutica distinta para cada gene afetado, a equipa modificou o ARN de transferência, uma molécula que normalmente transporta aminoácidos durante a produção de proteínas. A versão modificada ultrapassa o sinal de paragem incorreto, insere o aminoácido correto e permite à célula concluir a construção da proteína. Uma modificação química melhorou a atividade e a persistência da molécula, enquanto nanopartículas lipídicas adaptadas a transportaram para o interior das células.

Em culturas de células humanas das vias respiratórias com duas mutações sem sentido comuns na fibrose quística, os níveis de proteína funcional mantiveram-se durante mais de 40 dias. Em organoides de tecidos provenientes de doentes e resistentes ao tratamento existente, a combinação desta abordagem com ARN e um medicamento convencional para a fibrose quística restabeleceu a produção de proteínas e o movimento de água e sais.

O trabalho, publicado na Science, ainda não foi testado em doentes. Os investigadores estão agora a adaptar o sistema de administração a outros tecidos e a explorar uma formulação nebulizada estável para uma possível utilização futura por inalação.

Fontes

  1. Yahoo!Una nueva terapia de ARN podría ser clave para tratar numerosas enfermedades genéticas
  2. Aragón DigitalUna nueva terapia genética abre la puerta a tratar miles de enfermedades raras
  3. Agencia SincUn avance en terapia de ARN abre la puerta a tratar miles de enfermedades genéticas hasta ahora incurables

Notas da redação

De onde veio esta informação

Jingan Chen et al., Science (2026)

A Agencia Sinc apresenta a referência bibliográfica completa do artigo da Science, enquanto o Aragón Digital afirma explicitamente que os resultados foram publicados na Science e atribui as conclusões à equipa de Bowen Li. Nenhum dos artigos identifica uma fonte intermediária mais direta.

Jingan Chen et al., Science (2026) → Agencia EFE

O Yahoo! atribui o artigo à Agencia EFE, e a notícia identifica a descoberta como tendo sido publicada na Science.

University of Toronto statement → Agencia EFE

O artigo do Yahoo! é atribuído à Agencia EFE e refere que a explicação citada de Bowen Li provém de um comunicado emitido pela universidade.